Tiago Sansou
Instalação e obra em tecido · Lobato, Salvador · vive e trabalha em Salvador
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- Obras à venda, com preço informado no local
- Ateliê aberto
- dia e horário a definir
- @tiagosansou
Biografia
Tiago Sansou é artista visual afro-brasileiro, nascido em Salvador (BA) e originário do Subúrbio Ferroviário, onde cresceu como filho de mãe solo. Sua prática se insere no campo da arte contemporânea e dialoga com o pensamento pós-colonial e com a noção de necropolítica a partir de uma investigação ampliada da imagem, da materialidade e dos gestos cotidianos. Por meio da pintura, da ilustração e da colagem, Sansou desenvolve uma linguagem visual marcada por estéticas tropicais, referências afro-caribenhas e aproximações com a tradição naïf, articuladas pela síntese formal, pela intensidade cromática e por uma economia de elementos.
Em suas obras, temas como maternidade solo, trabalho doméstico, memória, ancestralidade e mortalidade negra são abordados de maneira simultaneamente direta e delicada, traduzindo questões históricas e sociais complexas em imagens de aparência leve e minimalista. Em vez de compreender a identidade pós-colonial apenas como um campo de representação do Sul Global, sua prática inscreve experiências negras e suas histórias na geopolítica contemporânea.
O cotidiano torna-se, assim, espaço de elaboração histórica: a experiência negra não aparece apenas como narrativa ou tema, mas como presença material, corporal e vivida, incorporada aos gestos, objetos, espaços e relações que constituem suas imagens. Sansou vem ampliando sua pesquisa em contextos internacionais, participando de residências artísticas e estabelecendo colaborações com instituições europeias. Foi artista residente no Berlin Art Institute (BAI), em 2024, e na SomoS Arts, em Berlim, em 2025.
Essas experiências aprofundaram sua investigação sobre colonialidade, território, circulação de imagens e as relações entre experiências do Sul Global e contextos europeus.
Declaração do artista
As três obras apresentadas para a exposição TRAMA foram baseadas nas vivências do artista na periferia de Salvador como filho de mãe solo. Bebendo do pensamento pós-colonialista de Achille Mbembe, que apresenta as mazelas do colonizado como estética, o artista cria varais coloridos que se inspiram em sua infância, nas colagens experimentais de Bispo do Rosário e nos parangolés do tropicalista Hélio Oiticica. Em vez de tratar a identidade pós-colonial apenas como um campo de representação, seu trabalho ancora a história na repetição e no uso cotidiano. Gestos domésticos aprendidos por proximidade e observação — como lavar, costurar, dobrar, reparar e pendurar — funcionam como elementos estruturantes que moldam corpos, rotinas e modos de atenção. Por meio dessas ações incorporadas, a história se inscreve no trabalho não como narração, mas como presença material e vivida.
Obras de destaque





Ficha técnica
Alimentar e Sustentar na Vida e na Morte, 2025, 40x50, Acrílica sobre tela
Materiais pouco apreciados, 2025, Técnica mista de Colagem em chita e pintura em tinta acrílica
Varal de roupa de Mainha, 2025, Varal de 2 metros e meio com colagens, Instalação
Trajetória
Formação
- Bacharelado em Design, Universidade Federal da Bahia
- Mestrado em Arte e Design, Universidade Federal da Bahia
Exposições individuais
- Nossos Pivetes: Reflexões sobre a Morte, 2024
Exposições coletivas e festivais
- Museu de Arte Moderna da Bahia
- BAI Berlin Art Institut, Alemanha
Prêmios
- Residência internacional SomoS Arts, Berlim, 2025