Suelen Novais
Pintura · Salvador, 1988 · vive e trabalha em Salvador
- Participação
- Artista
- Na feira
- Obras à venda, com preço informado no local
- Ateliê aberto
- dia e horário a definir
- @suellenrnovais
Biografia
Suelen da Rocha Novais (Salvador, 1988) é artista visual, farmacêutica e sanitarista. Graduada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e com especialização em Gestão em Saúde pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Com mais de dez anos dedicados à saúde pública, atua no contexto da saúde indígena pela SESAI (Ministério da Saúde). Sua pesquisa artística investiga as confluências e tensões entre a ciência ocidental alopática e as tecnologias de cura tradicionais e ancestrais, a partir do pensamento cosmo-político indígena e decolonial. Desloca o olhar clínico e epidemiológico para o campo das artes contemporâneas. Por meio do que conceitua como farmácia curatorial, transforma frascos, elementos botânicos e fraturas históricas em manifestações visuais de denúncia, acalento e resistência, compreendendo o corpo e a floresta como territórios vivos. Desenvolve atualmente a série Farmacopeia do Invisível, dedicada à Jurema-preta (Mimosa tenuiflora) como parente vegetal e sujeito de conhecimento. Vive e trabalha em Salvador, Bahia.
Declaração do artista
Por muito tempo, acreditei que minha voz não existia. O silêncio era uma condição, uma segunda pele que me acompanhava da sala de aula ao laboratório. No entanto, aprendi que o silêncio não é ausência, mas um modo de percepção. Enquanto eu não falava, eu observava. Catalogava o mundo em um inventário silencioso de formas, cores e texturas. Meu trabalho hoje nasce dessa longa aprendizagem: é uma tentativa de dar corpo e cor a tudo o que foi apenas visto.
Minha trajetória foi um desvio calculado. Abracei a precisão da farmácia, a lógica da ciência, como uma armadura. Busquei a objetividade dos diagnósticos e a exatidão das fórmulas como um antídoto para o caos das minhas emoções inarticuladas. Mas o corpo tem sua própria linguagem, uma que não pode ser silenciada. As doenças autoimunes, o burnout, a visão que se turvava – foram manifestos. Meu corpo se recusou a continuar sendo um arquivo morto de traumas e repressões. Ele exigiu ser visto.
A pintura, para mim, não é uma escolha, é uma consequência. É o processo de escavar a mim mesma, de traduzir a linguagem cifrada da minha própria biologia. Cada tela é um campo de batalha e um tratado de paz. É onde a rigidez do hospital encontra a fluidez da memória, onde a cientista e a "pequena exploradora" do quintal finalmente dialogam. Eu pinto para entender as conexões entre a ferida e a pele, entre a fuga e o lugar, entre o que adoece e o que cura.
Meu trabalho é sobre a retomada do olhar. É sobre reivindicar o direito de ser a narradora da minha própria história, não mais a observadora silenciosa da vida dos outros ou das minhas próprias dores. É um ato de organizar a farmácia da alma, onde descarto os placebos e finalmente encontro os princípios ativos da minha própria existência. Pinto para que meu olhar alcance onde minha voz, por tanto tempo, não conseguiu chegar.
Obras de destaque



Ficha técnica
A travessia da jurema-preta, 2026, 50x50cm, Acrílica sobre tela
A dissecação da jurema-preta (Mimosa tenuiflora), 2026, 60cmx50cm
Abraço cósmico, 2026, 150cmx100cm, Acrílica sobre tela
Trajetória
Formação
- Graduação em Farmácia, Universidade Federal da Bahia (UFBA)
- Especialização em Gestão em Saúde, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
Percurso recente
- 2026 — Farmacopeia do Invisível, série de pinturas e estudos dedicada à Jurema-preta (Mimosa tenuiflora)
- 2026 — Oficineira da Caravana Verger, em Salvador: projeto da Fundação Pierre Verger com o Acervo da Laje, patrocínio da Petrobras e do Ministério da Cultura
- 2026 — 39ª Semana de Farmácia da UFBA, mesa “O papel do farmacêutico no estudo multicêntrico da saúde indígena”, com Mariellen Souza (Fiocruz Bahia)
- 2026 — Diálogos de pesquisa com lideranças indígenas da Bahia e com o Instituto do Cérebro da UFRN